Mitigar as principais causas de perdas pode aumentar significativamente a rentabilidade e a eficiência da produção. Confira!
O milho é cultura de destaque na economia do Brasil. O país é o maior exportador mundial do grão, que é de extrema importância não apenas para a alimentação humana e de animais, mas também para a produção de biocombustíveis e para a indústria farmacêutica.
A colheita do milho é um processo crucial na produção agrícola, e a eficiência desta etapa pode determinar a rentabilidade da safra. No entanto, vários fatores podem causar perdas significativas durante a colheita.
Este artigo explora os principais problemas enfrentados pelos produtores e apresenta estratégias para minimizar essas perdas. Antes, vamos abordar outros pontos, como etapas da produção, estimativa de produtividade e época de colheita.
Quais são as etapas da produção do milho?
A produção do milho é um trabalho que exige cuidado, atenção e conhecimento e pode ser dividida em 4 etapas:
1. Dessecação antecipada e de pré-semeadura: importante para manejo de pragas e doenças, impedindo a competição inicial através da cultura e reciclagem de nutrientes.
2. Plantio: Semeadura das sementes no espaçamento adequado.
3. Manejo da cultura: Inclui adubação, irrigação, controle de pragas, planta daninhas e doenças.
4. Colheita: Realização da colheita no momento adequado, seguida do transporte e armazenamento dos grãos.
Cada uma delas envolve conhecimentos e práticas específicas e, quando bem efetuadas, garantem uma colheita produtiva, desde que haja atenção aos fatores que afetem diretamente a sua produtividade, como:
• Solo e fertilidade: A qualidade do solo e a gestão da fertilidade são fundamentais. Solo pobre ou mal manejado pode resultar em plantas menos vigorosas e menores rendimentos.
• Clima e irrigação: Condições climáticas adequadas e a gestão eficaz da irrigação são essenciais para garantir o desenvolvimento saudável do milho.
• Escolha das sementes: A escolha dos híbridos certos, adaptados às condições locais, pode fazer uma grande diferença na produtividade.
Como fazer a estimativa de colheita?
Neste ponto, ter uma estimativa da produtividade do milho é fundamental para o sistema produtivo da lavoura.
Assim será possível planejar uma colheita assertiva e estar seguro sobre a demanda logística necessária para escoamento ou estocagem da produção.
Para além disso, uma estimativa feita de maneira adequada ajuda a prever quando e quanto grão você deverá vender e se os investimentos na lavoura irão se pagar.
Para realizar a estimativa de produtividade é necessário reunir algumas informações sobre os componentes de rendimento do milho.
Para estimar a produtividade de milho por hectare antes da colheita, você pode seguir o Método de Determinação Baseado em Área de 10 m². Veja como é simples:
• Coleta de espigas: Em uma área de 10 m² na lavoura de milho, colete todas as espigas dentro dessa área.
• Debulha e Peso dos grãos: Utilize uma trilhadora para realizar a debulha e determine o peso dos grãos da amostra coletada em uma balança.
• Padronização da umidade: Com um medidor de umidade, determine a umidade dos grãos debulhados, corrigindo a 13 %.
• Cálculo da produtividade: Após os passos anteriores é possível calcular a produtividade. Veja o exemplo abaixo:
Exemplo Cálculo produtividade:
Após a debulha das espigas oriundas dos 10 m², realizou-se a pesagem dos grãos e o valor obtido na balança foi de 12,5 Kg. Na sequência foi retirada a umidade dos grãos em um determinador. O resultado obtido foi de 17,35 % de umidade.
Ou seja, se em 10 m² o peso dos grãos foi de 12,5 Kg, em 1 hectare (10.000 m²) temos:
12,5 kg / 10 m² X 10.000 m² = 12.500 kg/hectare (ha) – Produtividade bruta.
Agora fazendo o cálculo da produtividade, considerando a umidade de 17,35 %.
Primeiro a correção de umidade:
Fator de correção de umidade = (100 – umidade dos grãos) / 87
Fator de correção de umidade = (100-17,35) / 87 = 0,95
Agora obtendo a produtividade Real
Produtividade real = Produtividade bruta X fator de correção de umidade
Produtividade real = 12.500 kg/ha X 0,95
Produtividade real = 11.875 Kg/ha
Importante: Lembre-se de escolher sempre pontos de coleta representativos para obter resultados mais precisos.
Qual é a época da colheita do milho?
Outro ponto de vital importância para evitar perdas na colheita do milho é estar atento ao período em que ela deve ser feita. Ela varia de 120 a 180 dias após o plantio, dependendo do tipo de híbrido escolhido e da região de cultivo.
A colheita do milho pode começar quando o grão está maduro fisiologicamente (ao redor de 34 % umidade), sendo que após isso o grão vai perdendo peso de matéria seca gradativamente. Quanto maior a umidade no grão na colheita, mais oneroso o custo de transporte e secagem. Na maioria das vezes, o que normalmente acontece é a colheita ser realizada entre 17-28 % de umidade, dependendo muito da região, da cultura subsequente, do período sem chuva na pré-colheita, da disponibilidade de secadores e caminhões para transporte, do costume cultural etc.
Já para a produção de silagem, a colheita deve ser feita quando as plantas estiverem mais verdes, período muito próximo à maturação fisiológica.

Como é feita a colheita do milho?
A colheita do milho, a última etapa do processo de produção, pode ser realizada de forma manual ou mecanizada.
Na colheita manual, as espigas são colhidas e debulhadas manualmente. Na colheita mecanizada, utiliza-se colheitadeiras especializadas que realizam a colheita e a debulha simultaneamente.
Nessa fase, é preciso atentar-se às causas que podem gerar perdas de colheita, sejam elas causadas por danos mecânicos, queda de espigas ou grãos deixados no campo.
Essas perdas podem impactar significativamente a rentabilidade da produção.
Principais causas das perdas durante a colheita
Vários fatores levam a perdas na colheita do milho. Algumas estão ligadas a problemas com maquinário e condições climáticas. Confira:
• Má regulagem da colheitadeira: Quando a máquina não está corretamente calibrada, pode haver quebra de grãos e espigas, resultando em perdas significativas.
• Condições climáticas adversas: Chuvas excessivas, geadas e ventos fortes podem afetar a integridade das espigas e colmos e dificultar a colheita. Essas condições podem causar quedas de espigas e plantas e aumento da umidade dos grãos, tornando-os mais suscetíveis a danos.
• Doenças e pragas: A infestação por pragas como lagartas, a incidência de cigarrinha-do-milho, que é responsável por transmitir patógenos causadores de uma das principais doenças na plantação – o complexo do enfezamento do milho –, e doenças de grão e espiga como Giberella, Diplodia e Fusarium pode comprometer a qualidade e a quantidade da produção, levando a perdas significativas na colheita.
• Erros de manuseio: A técnica inadequada de manuseio durante a colheita pode resultar em perdas mecânicas. Isso inclui a velocidade inadequada da colheitadeira, altura incorreta do corte e manejo impróprio dos grãos colhidos.
• Má qualidade das máquinas: O uso de equipamentos desgastados ou não adequados para a colheita pode resultar em perdas elevadas. São essenciais a manutenção regular e o uso de máquinas apropriadas para o tipo de cultura.
• Planejamento inadequado: A falta de um planejamento adequado da colheita, incluindo a escolha do momento certo e a logística de transporte, pode levar a perdas significativas.
Como medir a perda da colheitadeira?
Uma lavoura bem mecanizada geralmente tem resultados mais significativos em relação à produtividade. Entretanto, ela exige uma maior atenção à regulação do maquinário para que as perdas sejam reduzidas.
Para medir a perda da colheitadeira de milho, você pode seguir estas etapas:
• Faça um gabarito: Primeiro, crie uma área de amostra delimitada no terreno, correspondente à faixa em que a colheitadeira passou.
• Colete a amostra em campo: Dentro dessa área delimitada, colete todos os grãos que estiverem presentes. Coloque-os em um recipiente e pese-os.
• Realize o cálculo: Com o peso dos grãos perdidos, calcule a perda média para 1 hectare.
• Determine se a perda é aceitável: Compare a perda calculada com os níveis toleráveis (geralmente em torno de 1,5 saco/ha para milho) e avalie se está dentro dos limites aceitáveis.
É importante ter em mente que uma máquina bem regulada pode evitar cerca de 50% das perdas na colheita do milho.
Quais as principais perdas pós-colheita?
Feita a colheita, ainda será necessário prestar atenção em processos como secagem, armazenamento e transporte, que são alguns dos principais motivos de perdas na pós-colheita do milho:
• Teor de água: Colheita com teor de água acima do ideal.
• Demora ou inexistência da secagem dos grãos.
• Pragas e doenças: Ataque de pragas, como o gorgulho e a traça-dos-cereais.
• Problemas no beneficiamento, como desregulagem de máquinas.
• Transporte inadequado.
Essas perdas podem representar até 20% da produção total, o que é significativo após todo o investimento e planejamento da safra.
Conclusão
A colheita do milho é uma etapa crítica na produção agrícola, e identificar e mitigar as principais causas de perdas pode aumentar significativamente a rentabilidade e a eficiência da produção.
A adoção de técnicas adequadas, o uso de tecnologia e a capacitação dos produtores, bem como a escolha de sementes certificadas e de qualidade, são fatores essenciais para minimizar as perdas na colheita do milho e garantir uma colheita bem-sucedida.

