A fábrica do grão: a Jornada NK301VIP3 continua!

Sementes NK

Especialista em Milho

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A proteção foliar no milho parte de uma constatação simples: é a partir do que é fabricado nas folhas que o grão é formado, e a produtividade depende de quanto tempo essa “fábrica” se mantém verde e ativa. 

No episódio anterior, a Jornada NK301VIP3 acompanhou os primeiros 30 dias que constroem o teto produtivo da lavoura. Agora, os engenheiros agrônomos Gabriel Matheus Fachin, coordenador técnico regional da Sementes NK, e Marco Winter, franqueado NK, voltam ao campo para mostrar como a área foliar sustenta o enchimento de grãos e por que protegê-la das doenças é uma das decisões que mais pesam no resultado da safra. 

Ao longo do texto, você vai entender como a posição das folhas na planta se relaciona com o enchimento de grãos, o que acontece com a planta quando ela perde área foliar, como o fungicida age de fato na planta e como montar um programa de proteção para um ano de El Niño muito forte, com um roteiro de monitoramento semanal para levar a campo.  

Acompanhe a leitura e siga a Jornada NK301VIP3!

Tempo de leitura aprox.: 15 minutos 

A folha como fábrica de carboidratos 

Cada folha de milho funciona como uma fábrica de carboidratos. Pela fotossíntese, ela transforma luz, água e gás carbônico em açúcares, que são levados até a espiga e armazenados no grão, principalmente na forma de amido. 

Quanto mais tempo a folha da espiga e as folhas de cima permanecem verdes e ativas, mais longo é o período de enchimento de grãos e mais pesado tende a ser o grão. 

Especialista agronómico de camisa azul escura a gesticular e a apresentar informações técnicas em pé no meio de uma plantação de milho verde, com uma torre de alta tensão ao fundo e o logotipo da NK no canto superior direito.
Técnico explica a importância das folhas para o enchimento de grãos. Fonte: Sementes NK

Nem toda folha pesa igual no enchimento 

Se cada folha é uma fábrica, nem todas entregam o mesmo volume quando o grão começa a encher. A forma mais direta de medir a importância de cada grupo de folhas é removê-las de propósito e observar o efeito na produtividade. 

Em estudo recente, Ribeiro et al. (2026) removeram folhas de plantas de milho no estádio R2, logo após a polinização. A retirada do terço superior reduziu a produtividade em cerca de 45%, e a retirada das folhas intermediárias, três acima e três abaixo da espiga, reduziu em 53,8%. Já a remoção do terço inferior resultou em queda de 6,16%. A desfolha total eliminou a produção e levou as plantas ao acamamento. 

Tabela 1. Quanto cada grupo de folhas pesa na produtividade do milho (Ribeiro et al., 2026) 

Folhas removidas  Estádio  Efeito na produtividade 
Terço superior  R2  Redução de cerca de 45% 
Intermediárias (três acima e três abaixo da espiga)  R2  Redução de 53,8% 
Terço inferior  R2  Redução de 6,16% 
Desfolha total  R2  Produção eliminada e plantas acamadas 

A leitura prática é clara. A folha da espiga e as folhas acima dela são a principal fonte de produção de carboidratos para o enchimento, e protegê-las é a prioridade do manejo. 

O baixeiro pesa menos na produção de açúcares nessa fase, porque fica sombreado pelas folhas de cima, mas isso não o torna descartável. A perda pesa mais quando acontece cedo, e o baixeiro tem um segundo papel: pode servir como fonte de inóculo para a doença se espalhar para a planta. 

Close-up das mãos de um profissional a segurar uma planta de milho recém-colhida, exibindo o sistema radicular fasciculado densamente coberto por terra e o colmo verde, com o fundo da plantação e o logotipo da NK.
Técnico avalia folha do baixeiro de planta de milho. Fonte: Sementes NK

Quando a planta perde folha, quem paga é o colmo 

A conta da área foliar perdida, porém, não fica só no grão. A espiga é o dreno prioritário da planta durante o enchimento. Quando doenças, seca ou insetos reduzem a fotossíntese, faltam carboidratos para a espiga, e a planta passa a retirá-los das folhas, do colmo e das raízes. 

Esse processo, conhecido como canibalização do colmo, leva à morte das células da medula, abre caminho para fungos causadores de podridões e deixa o colmo oco e frágil, sujeito ao acamamento, sobretudo quando a colheita atrasa (Ohio State University Extension, 2019). 

O que isso significa na lavoura 

  • Baixeiro sadio significa menos esporos subindo para as folhas que enchem o grão. 
  • Área foliar preservada até o fim do enchimento reduz a retirada de reservas do colmo. 
  • Colmo preservado é planta em pé na colheita, com menos perdas por acamamento e quebra. 

O triângulo da doença e o ambiente da safra 2026/2027 

Preservar a área foliar passa, antes de tudo, por entender o que leva uma doença a se instalar. A fitopatologia resume essas condições em um esquema simples, o triângulo da doença: é preciso haver uma planta suscetível, um patógeno presente e um ambiente favorável. Se um desses lados falta, a doença não se estabelece (Amorim; Rezende; Bergamin Filho, 2018). 

Técnico agrícola agachado entre as ruas de uma lavoura de milho em estágio inicial de desenvolvimento, desenhando no solo com palhada o triângulo da doença e exibindo a logomarca da NK no canto superior direito.
Técnico explica sobre o triângulo da doença em lavoura de milho. Fonte: Sementes NK

O manejo de doenças, na prática, consiste em enfraquecer cada um desses lados: 

  • Patógeno: a rotação de culturas e o manejo dos restos culturais. 
  • Ambiente: a época de semeadura e a população de plantas, já que populações acima da recomendada para o híbrido aumentam o molhamento foliar e o risco de doenças. 

O fungicida entra como ferramenta complementar, protegendo o tecido sadio. 

Técnico agachado ao lado de um tapete de medição agronómica estendido na relva, comparando o desenvolvimento físico e o sistema radicular de duas plantas de milho inteiras, com a identificação da marca NK no canto superior direito.
Técnico compara duas plantas de milho.

Um ano de El Niño muito forte 

Nesta safra, o lado do ambiente pede atenção especial. O boletim de setembro de 2026 do Painel El Niño, produzido pelo Inmet em conjunto com Inpe, Cemaden, ANA e outras instituições (Inmet et al., 2026), registra: 

  • anomalias de temperatura acima de 2 °C no Pacífico central e leste; 
  • probabilidade superior a 95% de um El Niño muito forte no trimestre outubro a dezembro; 
  • persistência do fenômeno até pelo menos o início de 2027. 

Para o Sul, a previsão é de chuva acima da média em parte da região durante a primavera. O mesmo boletim aponta que a boa disponibilidade de água favorece o milho de primeira safra, mas que o excesso de umidade pode aumentar a ocorrência de doenças fúngicas. 

Para a lavoura de milho, isso se traduz em dois efeitos simultâneos. Folhas que permanecem molhadas por mais horas, seja por chuva, seja por orvalho, oferecem aos patógenos o tempo de que ele precisa para infectar. E a chuva frequente encurta as janelas de pulverização, o que torna o planejamento das aplicações mais importante do que em um ano normal. 

Vista panorâmica aérea de uma vasta plantação de milho cobrindo todo o relevo do terreno, ladeada por vegetação arbórea ao fundo sob um horizonte cinzento e com o logotipo da NK no canto superior direito.
Lavoura de milho em pleno desenvolvimento vegetativo. Fonte: Sementes NK

Como o fungicida age dentro da planta 

Com janelas mais curtas, cada aplicação precisa render o máximo, e isso começa por entender o que o fungicida faz dentro da planta. Esse é talvez o ponto que mais muda a forma de enxergar a aplicação. 

O tecido que já apresenta lesão parou de fazer fotossíntese, e nenhum produto devolve essa área à planta. O papel do fungicida é impedir que o fungo germine, penetre e colonize o tecido que ainda está sadio. Fungicidas protetores formam uma barreira na superfície da folha e precisam estar lá antes da infecção, sendo reaplicados para cobrir o crescimento novo quando as condições favorecem a doença. 

Também é comum imaginar que um produto sistêmico circula pela planta inteira, e isso raramente acontece. Poucos fungicidas são totalmente sistêmicos: a maioria se move apenas localmente, dentro da folha tratada, ou atravessa a folha de uma face para a outra. Quando há movimento a distância, ele ocorre para cima, junto com a água que sobe pelo xilema, o chamado movimento acropetal. 

otografia em ângulo baixo focada na base dos colmos de plantas de milho alinhadas, destacando o sistema de plantio direto com cobertura de palhada seca sobre o solo avermelhado e a logomarca NK no canto superior direito.
Vista do baixeiro da lavoura de milho rente ao solo com palhada. Fonte: Sementes NK

Um estudo recente com marcação radioativa, conduzido em videira️, avaliou três fungicidas sistêmicos de grupos químicos diferentes e verificou que a maior parte do produto absorvido permaneceu na folha tratada, que a translocação para outros tecidos ficou abaixo de 1% da dose aplicada e que o produto se concentrou no ponto onde a gota caiu (Santos; Spósito, 2026). 

Três consequências práticas 

  • O baixeiro só fica protegido se a gota chegar até ele. O produto aplicado nas folhas de cima não desce para as de baixo, o que torna a cobertura da pulverização decisiva. 
  • Cada aplicação protege as folhas que já estão abertas. As folhas ainda enroladas no cartucho não recebem produto e serão protegidas na entrada seguinte. 
  • Fungicida funciona melhor antes da doença se instalar. Esperar a lesão aparecer nas folhas de cima é aplicar sobre uma área que já começou a ser perdida. 

O que existe dentro de uma planta de milho em V8 

Fotografia de um técnico agrícola com chapéu e camisa cinzenta no meio de uma plantação de milho, segurando uma planta inteira com raízes desenvolvidas e torrão de terra, sob um céu nublado e com o selo da NK no canto superior direito
Técnico segura planta de milho em estádio vegetativo na lavoura. Fonte: Sementes NK

Essa lógica de proteger as folhas à medida que elas se abrem fica mais clara quando se olha para dentro da planta em um momento-chave do ciclo. 

O estádio V8 corresponde à planta com oito folhas com o colar visível. Por fora, ela ainda parece uma planta jovem; por dentro, a estrutura reprodutiva já está sendo montada. Por volta de V5 a planta já concluiu a formação de todas as folhas e de todas as gemas de espiga, e um pendão em miniatura já foi iniciado no ápice do colmo.  

É exatamente isso que aparece quando o colmo é cortado no sentido do comprimento: o pendão no topo e os primórdios de espiga nos nós superiores (Abendroth et al., 2011). 

Vista macro de um corte longitudinal no colmo de uma planta de milho apoiado sobre uma superfície escura com o número "10", evidencian-se os entrenós internos e o tecido vegetal saudável sob a indicação da marca NK.
Colmo de milho cortado no sentido do comprimento mostrando a estrutura interna. Fonte: Sementes NK

A mesma fase concentra decisões sobre o tamanho da espiga. O número de fileiras de grãos é definido entre V5 e V7, tema tratado no Episódio 2, e o número de grãos por fileira começa a ser definido nesse período e segue até V12, podendo se estender até V15 (Nielsen, 2023). Em outras palavras, a planta em V8 está desenhando a espiga que vai encher semanas depois. 

Há ainda um detalhe que costuma surpreender quem desenrola o cartucho pela primeira vez: as folhas que ficarão em volta e acima da espiga, justamente as mais importantes para o enchimento de grãos, ainda estão enroladas e nem receberam sol.  

Elas vão emergir ao longo das próximas semanas, e é a sanidade delas que vai determinar por quanto tempo a planta consegue alimentar a espiga. 

Manejo que começa cedo: V4, V8 e a terceira entrada definida pelo monitoramento 

Por isso, o manejo de doenças no milho funciona como uma sequência de entradas, cada uma acompanhando as folhas que a planta acabou de emitir. A estratégia adotada na lavoura pode ser desenhada em três momentos: 

  1. V4. A primeira entrada protege as folhas que sustentam a lavoura enquanto a espiga começa a ser formada e atua cedo sobre o baixeiro, reduzindo a fonte de inóculo inicial, especialmente em áreas com muita palhada de milho e previsão de chuva frequente. 
  2. V8. É a aplicação principal. Com a lavoura ainda aberta, a calda consegue alcançar o baixeiro e o terço médio, e as folhas que acabaram de sair do cartucho recebem proteção, mantendo a planta limpa enquanto o tamanho da espiga é definido. 
  3. Terceira entrada. Seu momento é definido pelo monitoramento, pela evolução dos sintomas no terço médio e superior e pelo comportamento do clima. As orientações técnicas para a região subtropical (Reunião Técnica Sul-Brasileira de Pesquisa de Milho e Sorgo, 2024) destacam que as aplicações próximas ao pendoamento, antes ou depois dele, têm dado as melhores respostas em produtividade justamente por protegerem a folha da espiga e as folhas acima dela. Em um ano de El Niño, essa leitura precisa ser semanal. 

Tabela 2. Programa de manejo de doenças no milho: objetivo e leitura de cada entrada 

Momento  Objetivo  O que observar antes de decidir 
V4  Proteger as folhas abertas e o baixeiro no início da formação da espiga  Histórico de doenças da área, palhada de milho na superfície, previsão de chuva, tolerância genética do híbrido 
V8  Aplicação principal, com a lavoura ainda aberta  Cobertura no baixeiro, folhas recém-expandidas, primeiros sintomas no terço inferior 
Pré-pendoamento em diante (condicional)  Proteger a folha da espiga e as folhas superiores durante o enchimento  Evolução dos sintomas no terço médio e superior, sequência de dias com chuva ou orvalho, previsão do tempo, monitoramento 

As decisões de cada lavoura devem ser tomadas com o engenheiro agrônomo responsável. 

Cuidados que valem para qualquer programa 

  • Alternar fungicidas com diferentes modos de ação ao longo da safra, para retardar o surgimento de populações de fungos resistentes. 
  • Respeitar dose, intervalo e número máximo de aplicações indicados na bula, e manter o pulverizador calibrado. 
  • Confirmar o diagnóstico antes de escolher o produto, porque o resultado de cada fungicida varia conforme o patógeno-alvo. 

Tecnologia de aplicação em ano de chuva frequente 

Se o fungicida protege principalmente onde a gota cai, a qualidade da aplicação vale tanto quanto a escolha do produto. Em uma safra com chuva acima da média, alguns cuidados ganham peso: 

  • Planejar com a previsão do tempo. As janelas serão mais curtas; ter máquina, produto e equipe prontos permite aproveitar o primeiro dia adequado, sem atrasar a entrada. 
  • Respeitar o intervalo sem chuva após a aplicação indicado na bula, para que o produto seja absorvido antes de ser lavado. 
  • Priorizar a cobertura no baixeiro. Volume de calda e ponta de pulverização compatíveis com o porte da lavoura fazem a diferença na deposição dentro do dossel, e o V8 é o último momento em que a lavoura ainda está aberta o suficiente para isso. 
  • Conferir a deposição. Cartões hidrossensíveis posicionados no terço inferior das plantas mostram, de forma simples, se a calda está chegando onde precisa. 
  • Observar as condições de aplicação. Temperatura, umidade relativa e velocidade do vento devem estar dentro das faixas recomendadas para evitar perdas por deriva e evaporação. 

Monitoramento: um roteiro semanal 

O monitoramento é o que transforma o programa em decisão. As orientações técnicas regionais recomendam percorrer a lavoura em intervalos regulares para detectar as primeiras infecções e acompanhar a evolução das doenças. 

Plano aproximado de um agricultor ou técnico a apontar para a folha e o colmo verde robusto de uma planta de milho no campo, com palhada seca na superfície do solo e o logotipo da NK visível no canto superior direito.
Técnico avalia folha do terço inferior de planta de milho no monitoramento. Fonte: Sementes NK

Um roteiro simples: 

  1. Caminhar pelo talhão em zigue-zague, avaliando pontos representativos e evitando bordaduras e cabeceiras. 
  2. Em cada ponto, observar separadamente o terço inferior, o terço médio e a folha da espiga com as folhas de cima. 
  3. Registrar quantas plantas têm lesões e até que altura da planta os sintomas chegaram. A subida das lesões em direção à folha da espiga é o principal sinal de alerta. 
  4. Fotografar as lesões e, havendo dúvida, buscar o diagnóstico com o agrônomo antes de decidir a aplicação. 
  5. Redobrar a atenção depois de sequências de dias chuvosos ou com orvalho prolongado e cruzar o que foi visto com a previsão para a semana seguinte. 

Da folha ao grão: o que a lavoura leva para o enchimento 

Proteger a área foliar é, no fim, proteger a fábrica que vai abastecer a espiga. Cada folha que chega sadia ao enchimento prolonga a fotossíntese, reduz a retirada de reservas do colmo e mantém a planta em pé até a colheita. 

Por isso, o manejo de doenças no milho se constrói como um programa: entradas planejadas conforme a planta emite novas folhas, calda que alcança o baixeiro e monitoramento semanal para decidir o momento da terceira aplicação. As folhas protegidas agora são o que a lavoura terá para trabalhar no período mais exigente do ciclo. 

NK301VIP3: o lançamento hiperprecoce da Sementes NK 

Todo esse cuidado parte de uma decisão anterior às demais. No triângulo da doença, a escolha do híbrido é a que atua sobre o lado da planta, e é a primeira a ser tomada na safra. 

O NK301VIP3 é o novo lançamento da Sementes NK, um híbrido hiperprecoce desenvolvido para a safra de milho verão no Sul: a combinação ideal entre hiperprecocidade, alto potencial produtivo e excelente arranque inicial. 

No Episódio 4, a Jornada NK301VIP3 volta ao campo para avaliar o enchimento de grãos, a fase em que todo esse potencial é posto à prova. Acompanhe a série até a colheita, porque toda grande safra começa com uma escolha! 

Perguntas frequentes sobre manejo de doenças no milho 

1. Qual a relação entre a posição das folhas e o enchimento de grãos do milho? 

A área foliar em volta e acima da espiga é a principal fonte de carboidratos durante o enchimento. Em estudo de desfolha em R2, a perda das folhas intermediárias reduziu a produtividade em 53,8% e a do terço superior em cerca de 45%, contra 6,16% do terço inferior, que fica sombreado. 

2. O baixeiro importa, se ele pesa pouco no enchimento? 

Importa por dois motivos: é nele que as doenças costumam começar, servindo de fonte de esporos para as folhas de cima, e sua perda precoce acelera o consumo das reservas do colmo. 

3. O que é canibalização do colmo no milho? 

É a retirada de carboidratos do colmo, das folhas e das raízes para alimentar a espiga quando a fotossíntese cai. O processo deixa o colmo oco e frágil, favorece podridões e aumenta o risco de acamamento. 

4. O que é o triângulo da doença? 

É o esquema que reúne as três condições para uma doença acontecer: planta suscetível, patógeno presente e ambiente favorável. Se um desses lados falta, a doença não se estabelece. 

5. Como o El Niño afeta as doenças do milho na safra 2026/2027? 

Com chuva acima da média prevista para parte do Sul, as folhas ficam molhadas por mais tempo, o que favorece a infecção por fungos. A chuva frequente também encurta as janelas de pulverização. 

6. O fungicida recupera a folha que já está manchada? 

Não. A área com lesão já parou de produzir carboidratos. O fungicida protege o tecido sadio ao redor e as folhas que ainda não foram infectadas, por isso funciona melhor de forma preventiva. 

7. Se o fungicida é sistêmico, por que a cobertura importa tanto? 

Porque a maior parte do produto fica na folha onde a gota caiu, e o pouco que se move vai para cima. As folhas de baixo dependem de receber a calda diretamente. 

8. Por que contar as folhas do cartucho do milho?

 Porque é ali que estão as folhas que vão ficar em volta e acima da espiga. Elas ainda não receberam proteção e serão as principais responsáveis pelo enchimento de grãos. 

9. Quantas aplicações de fungicida são necessárias no milho? 

Depende do risco da área. Híbrido, histórico de doenças, palhada, clima da safra e monitoramento definem se a terceira entrada será necessária, além das aplicações em V4 e V8. Em um ano de El Niño muito forte, a tendência é de maior pressão, o que exige acompanhamento semanal. 

10. Como monitorar doenças na lavoura de milho? 

Percorra o talhão em zigue-zague, observe separadamente o terço inferior, o terço médio e a folha da espiga, e registre até que altura os sintomas chegaram. A subida das lesões em direção à folha da espiga é o principal sinal de alerta. 

Referências 

ABENDROTH, L. J.; ELMORE, R. W.; BOYER, M. J.; MARLAY, S. K. Corn growth and development. Ames: Iowa State University Extension, 2011. 50 p. (PMR 1009). 

AMORIM, L.; REZENDE, J. A. M.; BERGAMIN FILHO, A. (ed.). Manual de fitopatologia: princípios e conceitos. 5. ed. Ouro Fino: Agronômica Ceres, 2018. v. 1. 

BUHLER, W. Fungicide terms to know. Raleigh: Pesticide Environmental Stewardship, [20–]. Disponível em: https://pesticidestewardship.org/resistance/fungicide-resistance/fungicide-terms-to-know/. Acesso em: 17 out. 2026. 

CASELA, C. R.; FERREIRA, A. da S.; FERNANDES, F. T.; PINTO, N. F. J. de A. Cultivo do milho: doenças foliares. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2002. (Comunicado Técnico, 48). 

CASELA, C. R.; FERREIRA, A. da S.; FERNANDES, F. T.; PINTO, N. F. J. de A. Cultivo do milho: doenças. 4. ed. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2008. (Sistemas de Produção, 2). 

COTA, L. V.; COSTA, R. V. da; SILVA, D. D. da; LANDAU, E. C.; GUIMARÃES, D. P.; MACHADO, J. R. de A.; MENDONÇA, L. B. P.; SILVA, A. F. da; TARDIN, F. D.; MEIRELLES, W. F. Monitoramento do uso de fungicidas na cultura do milho no Brasil. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2018. 13 p. (Circular Técnica, 249). 

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REUNIÃO TÉCNICA SUL-BRASILEIRA DE PESQUISA DE MILHO E SORGO. Manejo integrado de doenças. In: EICHOLZ, E. D. et al. (ed.). Informações técnicas para o cultivo de milho e sorgo na região subtropical do Brasil: safras 2023/24 e 2024/25. Sete Lagoas: Associação Brasileira de Milho e Sorgo, 2024. p. 73-88. 

RIBEIRO, S. L. M.; CARVALHO, E. V. de; SANTOS, P. R. da R.; SANTOS, J. P. de O.; COELHO, V. L.; SILVA, M. C. da. A desfolha artificial no milho: estresses bióticos e abióticos e seus impactos na produtividade. Revista Sítio Novo, Palmas, v. 10, p. e1880, 2026. DOI: 10.47236/2594-7036.2026.v10.1880. 

SANTOS, P. S. J. dos; SPÓSITO, M. B. Systemicity of fungicides in grapevines assessed using 14C radiolabelling. OENO One, [S. l.], v. 60, n. 1, 2026. Disponível em: https://oeno-one.eu/article/view/9593. Acesso em: 17 out. 2026. 

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